Ex-colega de quarto de Zuckerberg se torna rabino em Israel

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Jerusalem — Quando Mark Zuckerberg estava lançando a revolução das mídias sociais há 12 anos, num alojamento estudantil da Universidade Harvard, um de seus colegas de quarto, Arie Hasit, perseguia um objetivo completamente diferente: se tornar um rabino em Israel. Após mais de uma década de estudos e dedicação, Hasit alcançou o seu objetivo neste mês, e foi ordenado no Seminário Rabínico Schechter, em Jerusalém, após ser aprovado nos exames finais.

Durante a última década, o americano de 33 anos, nascido em Cherry Hill, Nova Jersey, teve que responder constantemente a questionamentos de amigos e desconhecidos sobre como seria a sua vida e se ele sentia ter perdido a oportunidade de se juntar no início à companhia que se transformou num gigante avaliado em US$ 360 bilhões.

Eventualmente, Hasit admite pensar no que poderia ter acontecido se ele tivesse se juntado a Mark Zuckerberg e outros três colegas de quarto na start-up que estavam desenvolvendo. Em 2004, Hasit foi o quarto usuário do Facebook, após Zuckerberg e os cofundadores Chris Hughes e Dustin Moskovitz. Com o site se tornando popular em Harvard, o agora rabino chegou a oferecer ajuda, mas seus estudos na época de História e Hebraico não ajudavam, e foram gentilmente rejeitados.

— Eles diziam algo como: “Arie, nós gostamos de você e você é nosso amigo”, o que era definitivamente verdade, nós continuamos saindo socialmente. “Mas não, você não tem nada a oferecer aqui — contou Hasit, em entrevista à Associated Press.

O rabino não levou os comentários a sério, e continuou ignorando seus pais, que pediam que ele estudasse Ciência da Computação. Mas Hasit estava ocupado liderando uma comunidade judaica no campus e escrevendo para a “Harvard Political Review”. Zuckerberg abandonou Harvard no fim daquele ano e se mudou para o Vale do Silício. Hasit se graduou no ano seguinte, em História e Línguas e Civilizações do Oriente, com uma tese sobre hip hop de Israel.

— A questão era, se ele se tornaria um professor de hip hop israelense ou rabino — contou Zach Bercu, que estudou com Hasit em Harvard. — Eu não acho que existia outro caminho.

Hasit conheceu Zuckerberg por meio da fraternidade judaica Alpha Epsilon Pi. Os dois, junto com um outro amigo de Hasit, decidiram morar com outros quatro jovens estudantes no primeiro ano da faculdade. Dos sete, quatro são cofundadores da rede social.

Enquanto observava de longe o sucesso dos colegas, Hasit se mudou para Israel após a formatura e se alistou no exército, onde atuou como porta-voz para a imprensa internacional. Ele nunca falava sobre os seus colegas de quarto famosos, mas eventualmente o assunto surgia.

— As pessoas diziam: você é maluco! O que aconteceu com você? — disse Aliza Landes, uma colega americana que serviu com Hasit. Durante o tempo no exército, Aliza fundou o setor de mídias sociais do exército israelense, mas Hasit preferiu não se envolver.

PERSONAGEM EM FILME

Benjy Rutland, oficial na unidade onde Hasit serviu, lembra que ele experimentou um breve momento de estrelato, com o filme “A rede social”, que conta o surgimento do Facebook. Segundo Rutland, Hasit viu o filme e percebeu um personagem menor, que vestia um quipá e tocava bateria.

Mesmo não tendo participado da fundação do Facebook, Hasit diz ter ganhado algum dinheiro com o fenômeno global que surgiu de seu dormitório na faculdade. Após a oferta pública inicial de ações, em maio de 2012, Hasit comprou algumas ações, que deram lucro. Ele também usa a rede social para atrair 93 mil seguidores para sua página, que reflete sua visão liberal sobre as tradições judaicas.

Na semana passada, Hasit completou seu programa de 5 anos de estudos rabínicos. Recentemente, se casou e teve uma filha. Em agosto, se mudou para a pequena cidade de Mazkeret Batya, onde servirá como rabino, com salário de cerca de US$ 25 mil por ano.

Zuckerberg, pelo Facebook, negou um pedido de entrevista sobre o assunto. Hasit também se negou a comentar a relação entre os dois, ou dizer quando foi a última vez que se falaram. Entretanto, Hasit admitiu que a convivência com os fundadores do Facebook continua sendo uma influência, e que algumas vezes ele imagina o que poderia ter acontecido se ele tivesse seguido por um caminho diferente.

— Foi bom ser exposto a pessoas que assumem riscos — disse Hasit, brincando em seguida. — Todas as vezes que eu entro no vermelho, imagino se teria sido mais inteligente ter me juntado a eles.

Fonte: Globo

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